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Artigo Investimentos em RH fazem a organização evoluir
   29/01/2003
 

O investimento na área de recursos humanos é fundamental para o crescimento e a evolução de uma organização. Esse é o ponto de partida para esta entrevista com o sócio-diretor da Deloitte Touche Tohmatsu, Vicente Picarelli. Além de sua experiência e visão do mercado, ele usou nesta conversa dados da pesquisa Benchmarking de Gestão do Capital Humano, que relaciona as melhores práticas adotadas por empresas brasileiras.

O estudo foi produzido pela Deloitte Touche Tohmatsu e contou com a participação de 93 empresas de médio e grande portes que, juntas, empregam 500 mil funcionários, faturam mais de R$ 100 bilhões e estão presente nas principais regiões brasileiras.


canalRh - Existe uma relação direta entre os investimentos feitos na área de recursos humanos e o crescimento da empresa?

Vicente Picarelli - Com certeza existe essa relação, mas ela não pode ser quantificada. Não existe uma fórmula matemática para isso, mas é uma relação lógica, possível de ser feita. Apesar da necessidade de se mudar estratégias, atuação, processos e tecnologia, as grandes transformações em uma organização sempre vêm das pessoas, da maneira como elas se organizam e percebem a empresa, das ações que são feitas para atraí-las e retê-las. Por isso, todos os investimentos feitos em RH têm um significado positivo.


canalRh - E a relação entre a importância dada ao RH e a atração e retenção de talentos?

Picarelli - Uma organização que cuida dos seus recursos humanos e constrói uma relação inteligente entre estratégia e pessoas consegue diminuir o turnover, principalmente entre seus principais executivos, e atrair novos talentos.


canalRh - Ainda existe no mercado a visão de que o RH é uma área que apenas traz custos e não receita?

Picarelli - A percepção agora é outra, mas é difícil dizer que essa imagem antiga tenha acabado totalmente. Para as empresas benchmarking de mercado, a imagem do RH como fonte de custos já foi. Existe uma relação entre o desenvolvimento das pessoas e o crescimento da empresa. Antigamente a ação das pessoas era limitada por processos segmentados e por uma estrutura muito grande. Não havia visão sistêmica ou estratégica. Hoje as pessoas atuam de maneira mais abrangente, têm visão da estratégia. Isso só é conseguido com uma área de RH atuante, que tenha as suas estratégias alinhadas com as da empresa.


canalRh - E no que resulta esse tipo de atuação do RH?

Picarelli - Atualmente nós temos a gestão por competência, que é uma das respostas mais inteligentes para a gestão de pessoas, que deixam de ser organizadas por cargos e passam a se colocar pelas competências que a empresa precisa para atingir seus objetivos. Quem lidera esse processo é o RH. Nesse ponto, a área de RH deixa de ser apenas "RH", pois não vai mais cuidar de "recursos", mas sim de capital humano.


canalRh - Existem empresas que já estão nesse patamar?

Picarelli - Têm aquelas que já estão caminhando. Muita gente já saiu da posição inicial. Pesquisas nossas indicam que 80% das empresas ainda estão no modelo clássico, mas 60% querem mudar. O movimento é de mudança.


canalRh - Qual a tendência dos investimentos em RH nos próximos anos?

Picarelli - O estudo Benchmarking de Gestão de Capital Humano que realizamos em 2002 apontou que as perspectivas para os próximos três anos são de crescimento para 60% das quase cem empresas pesquisadas, de manutenção no mesmo nível atual para 24% das empresas e de redução para 16% delas.


canalRh - E qual é o destino desses investimentos?

Picarelli - Ainda segundo o mesmo estudo, 88% das empresas investem em treinamento e desenvolvimento, 54% em tecnologia da informação, 53% em remuneração, 39% em comunicação interna, 36% em benefícios, 29% em medicina, segurança do trabalho e saúde ocupacional, 16% em recrutamento e seleção - vale lembrar que esta área tem sofrido grande terceirização - e 11% em departamento pessoal.


canalRh - Qual é o perfil da empresa que investe significativamente em RH?

Picarelli - São aquelas que chegam ao nível da gestão de capital humano. Há uma linha evolutiva natural que começa no departamento pessoal, passa pelos recursos humanos.

 
 
Autor: Vicente Picarelli Imprimir
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