"O desenvolvimento de líderes e gestores tem sido o tema mais importante nas agendas de treinamento das universidades corporativas e das áreas de RH das organizações. É a prioridade do momento, uma verdadeira ‘epidemia' que retrata a preocupação com o futuro das carreiras dos profissionais e dos negócios, o que é plenamente saudável. Mas são tantas as diferentes características e competências exigidas que os profissionais acabam tendo dificuldade em discernir o que é e o que faz um líder ou um gestor.
Para esclarecer e escapar de modismos, que tendem a dizer que as duas são a mesma coisa, fomos buscar no dicionário Aurélio a definição correta para líder e gestor no mundo dos negócios:
• Líder - 1. indivíduo que chefia, comanda e/ou orienta em qualquer tipo de ação empresa ou linha de idéias; 2. guia, chefe ou condutor que representa um grupo, uma corrente de opinião, etc.
• Gestor - 1. quem gere ou administra negócios, bens ou serviços; (entende-se aqui qualquer tipo de serviço, como produção, marketing, projetos, etc.).
No ambiente de trabalho é fácil identificar estes dois perfis. Há profissionais que são claramente líderes. Incentivam, cativam, reconhecem, orientam e organizam a equipe, mas são péssimos em administrar prazos e verbas. Por outro lado, há os fantásticos ‘tocadores de projetos', comandando centenas de pessoas com a precisão de um relógio, mas sem a mínima sensibilidade em relação aos seus subordinados.
Até agora, esses dois perfis podiam conviver de forma separada nas organizações, pois juntos reuniam características essenciais para a condução dos negócios. Mas com o processo de inserção cada vez maior das empresas no contexto do desenvolvimento sustentável, onde ao lado da dimensão econômica a responsabilidade sócio-ambiental assume papel fundamental para a sua sobrevivência, são cada vez mais necessários os ‘lidestores', pessoas que potencializem a criatividade de um líder com a eficiência de um gestor. Ou ainda, pessoas que saibam planejar como gestores, mas tenham a visão do todo como líderes.
Quais são, então, as características mais latentes dos ‘lidestores'? A que desponta como uma das mais importantes é trabalhar com a ‘cabeça e o coração' (racional e emocional) conforme os cenários exijam soluções que empreguem a ciência ou a arte. A ética, o caráter, a estabilidade emocional, juntamente com a responsabilidade em agir de acordo aos preceitos do desenvolvimento sustentável, mesmo em situações extremas, são essenciais. Ouvir, orientar, dar feedback, delegar, corrigir, tomar decisões, motivar, trabalhar em e com equipes, dedicar-se para o sucesso de tudo e todos, desenvolver as pessoas e ter talento social surgem como mola propulsora advinda da liderança e gerência. Planejar, ter intuição, controlar, ter sensibilidade, estar atendo aos detalhes, ter visão holística, cuidar dos processos, ter dedicação ao coletivo, aprender a aprender, a aprimorar, a reaprender, a recomeçar, a ensinar, fomentar a melhoria contínua, desenvolver a percepção, cuidar dos clientes, gerir projetos e inovar são complementaridades que transformam líderes e gerentes em ‘lidestores.'
Como diria Henry Mintzberg, conceituado e polêmico estudioso canadense da administração empresarial e considerado um dos mais importantes gurus mundiais da estratégia: ‘a eficácia organizacional não está no conceito obtuso denominado 'racionalidade'; ela reside na mistura de uma lógica cristalina com uma intuição poderosa'."